
Falta de conservação dos ônibus da Piracicabana, muitos que quebravam no caminho, foi uma das queixas dos passageiros. Foto: Patrick Rodrigues – BD
Empresa e prefeitura dizem que situação será normalizada. Lotação, ônibus mal conservados e problemas de bilhetagem marcaram o começo do contrato emergencial
ADAMO BAZANI
Com agências de notícias
A prefeitura de Blumenau e Viação Piracicabana garantem que os transtornos que ocorreram nesta primeira semana de contrato emergencial nos transportes da cidade fazem parte de um processo de transição. E pode ser mesmo, no entanto, passageiros que dependem do sistema em Blumenau Santa Catarina enfrentaram diversas dificuldades para se locomoverem.
O contrato emergencial foi assinado em razão do descredenciamento das empresas de ônibus Nossa Senhora da Glória, Coletivo Rodovel e Viação Verde Vale que formavam o Consórcio Siga. De acordo com a prefeitura, estas três empresas de ônibus descumpriram cláusulas contratuais, desobedecendo tabelas de horários, itinerários e circulando com veículos acima da idade máxima permitida. Atrasos nos salários dos funcionários motivaram greves que prejudicaram os serviços aos passageiros.
Estas empresas de ônibus contestam a rescisão contratual na Justiça e dizem que a remuneração que a prefeitura repassava pelos serviços era insuficiente. Algumas tiveram dificuldades em financiar ônibus mais novos.
Uma nova licitação vai ser realizada em até 180 dias. Para que o poder público tenha tempo de organizar a concorrência, criou um contrato emergencial que foi assinado com Viação Piracicabana.
Os problemas em Blumenau começaram já em relação à quantidade da frota. De acordo com o contrato emergencial, a Piracicabana deveria começar com 190 veículos na segunda feira para, no final do mês de fevereiro, ampliar para 240 ônibus. Mas as operações começaram com apenas 80 ônibus e até esta sexta-feira, 150 estavam em circulação.
O resultado desta defasagem de frota foi superlotação nos veículos, terminais e paradas. Não bastasse o número de ônibus ser insuficiente, bem abaixo do previsto pelo contrato emergencial, muitos veículos quebravam constantemente. Estes ônibus são usados de outras regiões onde atua o Grupo Comporte, de Constantino de Oliveira, fundador da Gol Linhas Aéreas, dono da Piracicabana, começaram a apresentar problemas mecânicos. Sujeira e até mau cheiro dentro dos ônibus eram outras reclamações dos passageiros.
A bilhetagem eletrônica também foi o outro problema em relação ao início da operação da Piracicabana. Os ônibus operaram com catraca livre de segunda a quinta feira. A passagem de R$ 3,65 só começou a ser cobrada na sexta-feira, no entanto, os passageiros relatam que em alguns validadores eram cobradas as passagens dos ônibus executivos, no valor de R$ 4,50.
A falta de informação também prejudicou os passageiros que não sabiam ao certo os horários e os itinerários. Os letreiros de muitos ônibus não funcionavam, ampliando as dificuldades.
RESPOSTAS:

Em alguns veículos, passageiros se sujavam com vazamentos e falta de asseio. Foto: Patrick Rodrigues – BD
A Viação Piracicabana garante que os problemas serão resolvidos, no entanto, admite que a operação não saiu como planejado pela companhia de ônibus.
Em relação à quantidade de veículos, a empresa diz que nos próximos dias mais ônibus irão para o transporte de Blumenau. Também atribuiu a oferta restrita de transportes ao fato de as empresas que operavam na cidade terem demorado para fazer as rescisões trabalhistas, impedindo que os funcionários fossem atuar na Piracicabana.
Sobre a falta de informação, disse que juntamente com técnicos da prefeitura, funcionários da companhia de ônibus atual informam os passageiros sobre horários, itinerários e alterações.
A respeito da conservação e limpeza dos ônibus, a Piracicabana informou que possui uma equipe de 48 mecânicos e que vai realizar neste feriado de Carnaval, quando as tabelas preveem menos viagens, uma Força Tarefa para atuar no conserto dos veículos.
Em relação à bilhetagem eletrônica, informou que o Consórcio Siga, que reúne as empresas descredenciadas, demorou para passar as informações necessárias para o funcionamento do sistema, tanto é que os dados foram obtidos por meio de intervenção.
A empresa também diz que vai ressarcir os passageiros que pagaram tarifa de R$ 4,50 e também atribui o erro às dificuldades que teve de conseguir os códigos da Bilhetagem Eletrônica com a Nossa Senhora da Glória, Rodovel e Verde Vale, no Consórcio Siga.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Com Diario Catarinense, G1, RBS

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