Francisca Maria Ferreira, manicure, de 42 anos, mora em Santa Maria, uma das cidades próximas de Brasília, e trabalha na Asa Norte. Em dias normais, gasta uma hora para chegar ao trabalho, mas neste sábado (3) perdeu três horas no deslocamento. “Esse que tá de greve é rapidinho, porque demora 40/45 minutos para chegar na rodoviária”, disse Francisca.
“A preocupação de muitos funcionários que têm nos ligado, e até mesmo presencialmente, é de que dependem do emprego, e pelo fato de ficarem parados, veem que há o risco até mesmo de [não haver pagamento] do próprio salário”, afirmou Vanildo Gomes, gestor administrativo da Cootarde, que tem uma conversa agendada com eles também nesta segunda. Segundo ele, as manifestações desses trabalhadores são no intuito de que querem voltar ao trabalho. “Se continuarmos [parados], aí que não vamos ter receitas”.
De acordo com Vanildo, o governo local está atrasado no pagamento de quatro quinzenas relativas ao transporte gratuito de estudantes e pessoas com deficiência. Do lado do governo, o secretário de Mobilidade, Carlos Tomé, que assumiu há dois dias o cargo, informou que a nova equipe está estudando como será possível fazer o repasse de cerca de R$ 20 milhões de um empenho feito no final do ano.
“Estamos fazendo todo o possível para conseguir fazer os repasses das verbas devidas para as empresas. Não está sendo fácil, no governo anterior os recursos orçamentários se encerraram muito antes do fim do ano, e todos os pagamentos, nos três últimos meses, foram feitos com remanejamento orçamentário”, afirmou.
Até terça-feira (6), o secretário terá uma resposta sobre esses estudos, mas o governo trabalha com a possibilidades de amenizar o problema antes disso. “Não é uma solução, o governo assumiu há dois dias. [Nesse tempo] não se resolve o rombo financeiro que recebemos da noite para o dia”, declarou.
A fim de discutir mais uma alternativa de modo emergencial, a Cootarde vai se reunir com seus associados também na segunda. “A gente está mantendo na retaguarda. Uma segunda situação seria buscar junto aos cooperados um aporte financeiro, isso vai ser um assunto da pauta, Eu não posso dizer, cada cooperado vai falar de sua posição”, disse Vanildo.
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