Agências reguladoras e departamentos movimentam bilhões e atuam em áreas estratégicas que acabam por dar status políticos.
Após distribuir ministérios aos aliados, Dilma Rousseff terá de agradar mais gente com a administração de empresas, agências reguladoras e departamentos. Novamente o setor de transportes é alvo de cobiça.
O setor de transportes é um dos mais importantes e estratégicos de uma nação. Seja de cargas ou de passageiros, por terra (às vezes literalmente na terra mesmo, dadas as condições das estradas), mar e ar, é através dos transportes que pode vir uma das contribuições para desenvolvimento econômico, crescimento social e até mesmo oportunidades pessoais com melhores acessos à educação, emprego, serviços de saúde, etc.
Além disso, é um setor que pela complexidade e extensão das obras ou mesmo custos de gerenciamento movimenta uma quantidade muito alta de recursos.
Os partidos políticos sabem disso e todo início de mandado é a mesma história e com este não seria diferente: as pastas, departamentos e agências relacionadas a transportes viram alvos dos aliados que ajudaram o partido vigente, hoje o PT, a estar no poder.
Dois ministérios já foram entregues pelo Governo Dilma aos aliados:
– Ministério das Cidades, com o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD), que a despeito de sua postura como chefe do executivo municipal antes os transportes sofrer críticas, além de ajudar a angariar votos para o PT, tem se deixado usar hoje como uma espécie de paredão ao aliado PMDB para que este não “cresça” muito e perca um pouco seu ar de aliado rebelde em troca de aprovações de matérias de interesse do governo. À frente do Ministério das Cidades, Kassab terá em mãos as verbas que são destinadas a mobilidade urbana, como financiamentos de construção de metrô e de corredores de ônibus.
– Ministério dos Transportes, com Antônio Carlos Rodrigues (PR). Articulador político, Antônio Carlos Rodrigues também reduz o espaço do PMDB e do próprio PT nos ministérios. A presidente Dilma acredita que é melhor a pulverização porque além de satisfazer às muitas alianças feitas ao longo de campanhas, freia o próprio PT, que possui uma ala ligada ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva que, apesar dos discursos em público de união, não se agrada da postura de Dilma e prefere um jeito mais “Lula” de discurso. Antônio Carlos Rodrigues foi presidente da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, do Governo do Estado de São Paulo, por quem é processado por ter realizado aditivos contratuais para manutenção e operação de trólebus no Corredor Metropolitano ABD que, entre 1993 e 1996, trouxeram prejuízos de R$ 17 milhões à população, em valores corrigidos. Leia mais em: http://onibusbrasil.com/blog/2015/01/15/ministro-dos-transportes-de-dilma-e-processado-por-aditivos-de-trolebus-pela-emtu/
A CORRIDA NÃO ACABOU
Mas a corrida pelos transportes por parte dos partidos políticos ainda não acabou. Resta o segundo escalão, também importante.
Mesmo o PMDB aumentando sua cota de ministérios subindo de cinco no primeiro mandato para seis agora, considera que perdeu o poder e quer a administração de empresas-chaves na área dos transportes, como a Infraero e a Embratur.
A presidente Dilma Rousseff já alertou que não fará a distribuição de ministérios com as “porteiras fechadas”. Isto é, as empresas, agências ou departamentos ligados a estes ministérios não serão distribuídos aos partidos dos ministros que estão agora à frente das pastas. É uma forma de agradar a todos que apoiaram na época de campanha, inclusive para aumentar o tempo de propaganda eleitoral, e de impossibilitar a criação de um “super partido aliado”, como ocorria com o PMDB. Apesar de o partido ter um Ministério a mais, os que ele possui atualmente são de menos peso que os outros. Kassab (PSD) no Ministério das Cidades, por exemplo, é uma das mágoas do PMDB.
Apesar de não haver “porteiras fechadas” nos Ministérios, como declarou Dilma a interlocutores, os partidos não querem saber e almejam empresas e agências onde já possuem ministros.
O PR, que por Antônio Carlos Rodrigues detém o Ministério dos Transportes, quer o Dnit – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (que cuida das verbas para as estradas, por exemplo) e a Valec – Engenharia Construções e Ferrovias, empresa estatal.
A ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres , que cuida por exemplo, das linhas de ônibus interestaduais e internacionais, também é cobiça dos partidos políticos aliados de Dilma Rousseff.
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