Aparelhos “Nextel” seriam para comunicação direta entre policiais e representantes das empresas de ônibus do consórcio. “Privilégio no atendimento” é considerado ilegal por especialistas.
Ônibus do Consórcio Unisul.Corregedoria da PM vai investigar linha direta com Batalhão da Área. Foto: Adamo Bazani.
A corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo vai investigar a doação de aparelhos celulares e radiocomunicadores, Nextel, feita pelo Consórcio Unisul, que reúne empresas de ônibus que atendem a zona Sul da Capital Paulista, a policiais do 27º Batalhão, de área correspondente.
Os aparelhos permitiriam uma espécie de linha direta entre os gestores e responsáveis pelo tráfego das empresas de ônibus que formam o consórcio e a polícia.
De acordo com reportagem de Léo Arcoverde e William Cardoso, do jornal Agora São Paulo, em 23 de janeiro de 2015, ofício assinado pelo major Paulo César Arantes, comandante do 27º BPM/M, determinava a condição de uso dos aparelhos que só poderiam ser acionados para comunicação entre os próprios policiais ou então entre os policiais e funcionários de coordenação das garagens do Consórcio, formado pela Tupi – Transportes Urbanos Piratininga, Mobibrasil, VCD – Viação Cidade Dutra e VIP Transportes Urbanos.
Os aparelhos foram cedidos a oficiais e, segundo o documento, o objetivo foi “estreitar o contato com os supervisores de serviço em campo para facilitar a comunicação em eventos adversos”.
O Consórcio Unisul figura entre os que mais tiveram ônibus destruídos em incêndios criminosos desde 2013.
Em nota, a PM diz que a determinação do major Paulo César Arantes “perdeu efeito” . O secretário de segurança pública, Alexandre de Moraes, disse que determinou abertura de investigação e que os aparelhos vão ser devolvidos.
Ao jornal, a professora de Direito Público da USP – Universidade de São Paulo, Odete Medeuar, disse que a prática é ilegal porque gera um privilégio no atendimento às ocorrências relacionadas com as empresas do consórcio.
“É ilegal, porque a atuação de qualquer setor da PM não deve ser direcionada a essa ou aquela empresa, mas à população (em geral)”.
O coronel da reserva, José Vicente da Silva, especialista em segurança pública, diz que a PM não deve estar à serviço de interesses privados.
“É praticamente uma facilitação de serviço de interesse privado. Pode ser a Unisul hoje e, daqui a pouco, uma rede de farmácias, bancos. Outro erro é que todo o serviço de telecomunicação depende da autorização da SSP (Secretaria de Segurança Pública) e da PM.” – comentou.
As empresas que formam o consórcio não se manifestaram.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.
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