segunda-feira, 4 de junho de 2018

Apesar de promessa do prefeito, estações do BRT seguem fechadas

Na estação Cesarão II, havia um caveirão com um policial

Quatro dias após o prefeito Marcelo Crivella anunciar que o BRT voltaria a rodar na Avenida Cesário de Melo, as 22 estações do eixo que liga Campo Grande a Santa Cruz continuam fechadas. Além disso, o policiamento no corredor Transoeste foi reduzido nos últimos dias.
Na última quarta-feira, após o secretário da Casa Civil, Paulo Messina, revelar que cinco estações da região tinham sido dominadas pelo tráfico, a Polícia Militar designou equipes para patrulharem cada uma delas. Já neste domingo, apenas três estações continuavam com policiamento reforçado.
Em frente à estação Cesarão II, havia um caveirão parado e com a porta aberta. Dentro do blindado, um policial militar sentado com as pernas para fora olhava para baixo, mexendo no celular. Já na estação Três Pontes, havia um carro da PM com dois agentes que estavam de pé, lado a lado, encostados na parte traseira do carro e de costas para a plataforma. A terceira estação com presença de policiais era a Cesarão I, onde também havia um carro com uma dupla de policiais.
Quem percorre o eixo Cesário de Melo percebe que as estações estão todas e com as portas abaixadas. Apesar disso, em algumas delas é possível ver a movimentação de moradores de rua, que entram através dos vidros quebrados. Três estações, apesar de fechadas, ainda contam com funcionários em seu interior: São Jorge, Icurana e Parque São Paulo. Não há movimento de articulados nesse trecho do corredor.
Em nota, o consórcio BRT confirma que permanece suspenso o atendimento ao público nas estações da avenida que liga Santa Cruz a Campo Grande. “A equipe de infraestrutura está realizando um levantamento dos materiais e equipamentos necessários para a reabertura das estações do eixo da Avenida Cesário de Melo", diz o consórcio.
Na mesma entrevista coletiva em que prometeu a retomada da circulação dos articulados na Avenida Cesário de Melo, na semana passada, o prefeito Marcelo Crivella afirmou que negocia com o consórcio que administra o corredor expresso uma contrapartida ao reajuste das tarifas de ônibus. Segundo Crivella, um projeto de segurança, nos moldes do programa Segurança Presente, será implantado no sistema de veículos articulados. Na ocasião, o prefeito disse que o programa seria implantado nos próximos dias. Até agora, no entanto, ainda não há qualquer detalhamento sobre o projeto ou previsão para que a promessa se torne, de fato, realidade.
A assessoria de comunicação da SMTR informou, por telefone, que a suspensão da circulação dos articulados no trecho da Avenida Cesário de Melo se deu diante de situações atípicas, provocadas pela greve dos caminhoneiros. No entanto, caso o atendimento à população continue suspenso, as empresas que formam o consórcio estarão sujeitas às sanções previstas em contrato sobre a manutenção do serviço.
Já a Prefeitura do Rio disse que o Consórcio BRT garantiu ao prefeito Marcelo Crivella que, a partir desta segunda-feira, dia 4, colocará em ação um plano de contingência para operar o Corredor Transoeste, no trecho da Cesário de Melo, cujas estações estão fechadas por conta do vandalismo e da falta de segurança. A partir do meio-dia, será Implementada a linha 5805 (Campo Grande x Santa Cruz), operando em paralelo ao corredor Transoeste, com ônibus urbano. O Consórcio BRT faz um levantamento dos materiais e equipamentos necessários para a recuperação das estações que foram depredadas nesse trecho.

Crivella anuncia R$ 700 mil para segurança no BRT

Corredor Transoeste está fechado há 10 dias por falta de segurança



Por O Dia
RIO - Sem citar os problemas no Corredor Transoeste do BRT, cujo eixo da Avenida Cesário de Melo, em Campo Grande, está fechado há 10 dias, por falta de segurança, o prefeito Marcelo Crivella anunciou investimento de R$ 700 mil mensais para proteger os trajetos dos ônibus, "sobretudo em áreas mais remotas".
Segundo Crivella, o projeto vai ter a parceria da Polícia Militar e da Guarda Municipal. A verba será disponibilizada pela prefeitura e pelo sindicato das empresas, mas o prefeito não detalhou como vai ser a divisão. Procurado, o Rio-Ônibus não se manifestou.
Por sua vez, o Consórcio BRT afirmou, ontem, que ainda não há previsão para que o eixo da Cesário de Melo, que tem 22 estações, volte a funcionar. O consórcio alega que está fazendo levantamento dos estragos para realizar os reparos mínimos necessários à garantia de segurança para passageiros e funcionários. Alvo constante de vândalos, o BRT teve as estações invadidas por traficantes, durante a greve dos caminhoneiros, quando o sistema foi suspenso por falta de combustível. Os bandidos fizeram das estações em ponto de venda de drogas.

Fonte: 
https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2018/06/5545739-r-700-mil-para-pms-no-brt.html

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Crivella anuncia que BRT terá aumento de tarifa e sistema de segurança nos próximos dias

A estação Cesarão III é uma das 22 ao longo da Avenida Cesário de Melo que estão fechadas



O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, anunciou nesta quarta-feira, que negocia com o consórcio BRT um aumento no valor da passagem e, como contrapartida, será implantado nos próximos dias um sistema de segurança no corredor expresso, aos moldes do Segurança Presente. Em função da violência, cerca de 20 estações entre Cesarão I e Campo Grande,a Zona Oeste, não puderam voltar a funcionar.
- O BRT está trabalhando nesta quarta-feira com 70% da sua capacidade e volta a rodar na Avenida Cesário de Melo ainda hoje. Havia denúncias do diretor de operações do BRT de problemas de drogas nas estações. As ações que foram feitas hoje não verificaram isso, mas as estações estão completamente depredadas. A Polícia Militar colocou uma viatura em cada estação - disse Crivella.
O secretário da Casa Civil do município do Rio, Paulo Messina, denunciou nesta terça-feira que cinco estações do BRT entre Cesarão I e Campo Grande foram tomadas pelo tráfico, que instalou no local cavaletes para vender drogas. Segundo ele, o relato foi feito pelo diretor de operações do corredor expresso durante reunião do Centro de Operações da prefeitura.
De acordo com o prefeito, a atuação do tráfico na região e a falta de segurança no transporte fizeram parte de negociações que a prefeitura mantém com as empresas de ônibus desde o ano passado.
- Estamos negociando com o sistema de ônibus desde o ano passado o aumento da tarifa. Desde aquela época, está sendo discutido um sistema de segurança para o BRT. Queremos ter policiais e guardas municipais que possam trabalhar conosco nas suas folgas, tipo o Centro Presente, Rio mais Seguro. Vamos implementar isso nos próximos dias - garantiu Crivella, sem dar detalhes se os agentes vão atuar apenas nas estações ou dentro dos veículos e se trabalharão armados.
O prefeito afirmou que o novo sistema de segurança não vai impactar no aumento do valor da passagem:
- Parte do reajuste será usado para a segurança no BRT. O aumento será feito com uma fórmula paramétrica, existe também um ganho extra que as empresas tiveram durante as Olimpíadas e há também a situação de o Rio de Janeiro ter perdido 500 mil empregos com carteira assinada. O Rio Ônibus tem 80% de suas passagens vendidas para as empresas, então foi uma queda enorme para essas empresas.
Sem citar valores, Crivella informou que "o preço da passagem no Rio será ainda mais barato do que o praticado nas cidades ao redor".
Rio sai do estágio de atenção
Após reunião com representantes das secretaria da Casa Civil, Educação, Saúde, Transporte, Conservação e Meio Ambiente, Comlurb, CET-Rio, BRT e Rio Ônibus, no Centro de Operações da prefeitura, Crivella afirmou que a cidade retornou ao estágio de normalidade, uma vez que não há mais impactos severos nas operações da cidade em decorrência dos bloqueios que existiam em rodovias de acesso ao Rio.
O estágio de atenção vigorava desde as 16h30 do dia 25 de maio, por conta dos problemas no funcionamento dos serviços de infraestrutura urbana, em especial na área de transportes, devido às restrições causadas pelos protestos de caminhoneiros.

Prefeitura afirma que cinco estações do BRT na Zona Oeste foram dominadas pelo tráfico

Estação Cesarão I, localizada em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio (Arquivo)

Cinco estações do BRT entre Cesarão 1 e Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, foram tomadas pelo tráfico. A denúncia foi feita pelo secretário da Casa Civil da prefeitura do Rio, Paulo Messina, durante entrevista coletiva na tarde desta terça-feira no Centro de Operações Rio (COR). Com isso, essas estações não foram reabertas e seguem com as atividades suspensas até que a Segurança do Estado retome o controle das cinco estações do BRT.
— É algo gravíssimo. Não podemos deixar acontecer. Já estamos pedindo socorro imediato. O crime se aproveitou do momento em que o BRT não funcionou, no último sábado, para tomar o poder. Isso é inaceitável, e nós precisamos reagir — comentou.
Segundo Messina, após a falta de combustíveis provocada pela greve de caminhoneiros, o BRT não consegue voltar a circular normalmente na Zona Oeste por problemas de segurança. O secretário afirmou que as estações viraram "quiosques do tráfico de drogas".
— O poder público perdeu o controle dali. Já criamos um grupo de trabalho para pedir auxílio às forças de segurança. Precisamos desse socorro, temos certeza que elas vão nos ajudar. As denúncias falam sobre traficantes ameaçando os funcionários do BRT, ficando impossível das estações operarem — afirmou Messina em relação ao trecho da Transoeste.
Messina recorreu ao secretário municipal de Ordem Pública, coronel Paulo Amendola, e ao secretário municipal de Transportes, coronel Diógenes Dantas Filho, que pediram a ação das forças de segurança.
Ainda de acordo com Messina, os veículos do BRT estão rodando na região da Avenida Cesário de Melo sob ordem do tráfico e são obrigados a parar na estação sob ameaça dos traficantes. Alguns ônibus foram alvos de pedras ao passar pelos terminais.
— Uma parte (da frota) roda e eles são obrigados a parar nas estações. Caso contrário, o tráfico joga pedra, atira. Os funcionários estão sofrendo ameaças. Está gravíssima a situação por lá — afirmou o secretário.
Procurados pelo EXTRA, a Secretaria de Segurança do Rio e o Comando Militar do Leste ainda não responderam aos questionamentos. No entanto, nas redes sociais, a Polícia Militar afirma que esteve nas estações do BRT citadas por Messina. "Não foram encontrados criminosos ocupando os locais". Ainda de acordo com a publicação na internet, a corporação está em contato constante com a segurança do consórcio.
Messina informou, à noite, que convidou o major Ivan Blaz, porta-voz da Polícia Militar, para visitar as estações do BRT nesta quarta-feira. Eles serão acompanhados pelo diretor de operações do consórcio.
— Os relatos trazidos pelo diretor de operações do BRT na reunião que aconteceu nesta terça-feira à tarde informam que essas cinco estações estão tomadas pelo tráfico, com cavaletes montados para venda de drogas e ameaças aos funcionários do serviço. O major Blaz me afirmou que essa situação não existe. Para acabar com essa conversa, vou até as estações acompanhado do major Blaz e do diretor de operações do BRT para ver o que tem e o que não tem — disse o secretário.
VANDALISMO EM MADUREIRA
Diante de todas as dificuldades para colocar a frota em circulação por falta de combustível, o sistema BRT foi alvo de criminosos na noite desta segunda-feira que, além de tentar roubar, vandalizaram a Estação Madureira Manaceia, do corredor Transcarioca. Com pedaços de granito, os ladrões quebraram o vidro da bilheteria da estação para tentar roubar o computador.
O sistema BRT foi bastante afetado pela greve dos caminhoneiros e chegou a interromper a circulação dos três corredores na madrugada de sábado. No início desta tarde, o BRT informou que o sistema saiu do plano de contingência para a operação normal, com exceção do trecho afetado pela falta de segurança. A partir das 14h, voltou a funcionar os serviços do trecho entre Madureira e Fundão. Depois das 16h, teve início a operação do articulados que atendem a estação Galeão.


quarta-feira, 9 de maio de 2018

BRT perde a roda e acidente causa pânico na Zona Oeste

Caso aconteceu na noite desta terça-feira. Até o momento, não há registro de feridos



Acidente aconteceu com ônibus da linha 15 (Paciência - Recreio)

Acidente aconteceu com ônibus da linha 15 (Paciência - Recreio) - 
Rio - Um ônibus articulado do BRT TransOeste  da linha 15 (Paciência - Recreio) perdeu a roda, na noite desta terça-feira, e deixou passageiros em pânico na Zona Oeste. O acidente aconteceu próximo à estação Embrapa, na Avenida Dom Joao VI. Segundo os usuários, o veículo estava em mal estado de conservação. Até o momento não há o registro de feridos.
Em relato enviado ao Whatsapp do DIA (98762-824), o passageiro Bruno Armstrong descreveu o momento do acidente. "Peguei o ônibus na estação Salvador Allende e um pouco depois o pneu estourou e a roda saiu. O eixo arrastou no asfalto, o motorista abriu a porta e todos se jogaram na grama e gritavam. Foi desesperador", disse.
Ainda segundo o passageiro, a falta de manutenção nos veículos da linha é visível. "O consórcio e as empresas do BRT dizem que é culpa dos usuários, mas muitas coisas são falta de manutenção da empresa. Um pneu sair da roda não pode ser culpa da população. Isso poderia ser muito grave", finalizou Bruno.
"Todos os ônibus da linha 15 estão em péssimas condições, são uma bomba relógio. O ônibus estava fazendo um barulho estranho, estava superlotado, logo após o túnel a roda soltou e causou desespero total", relatou Igor Melo, que também estava no veículo.
Procurado pelo DIA, o Consórcio do BRT confirmou o acidente e ressaltou que a situação é crítica nos corredores de transporte. "A roda de um articulado do BRT se soltou na noite de hoje, perto da estação Ctex. Os passageiros foram transferidos para outro articulado e o carro levado para reparo. Importante ressaltar que a situação é crítica nos corredores Transoeste e Transcarioca. Os buracos nas pistas comprometem equipamentos e mecânica dos articulados. Vale lembrar que a responsabilidade pela conservação da pavimentação na calha é da Prefeitura e que já enviamos diversos ofícios ao órgão gestor solicitando providências", informou a empresa, em nota.
*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Linha que deveria ter 27 ônibus circula com apenas um na Zona Oeste do Rio

Leandro Silva já recorreu ao MP duas vezes para pedir a regularização da 366 (antiga S-14) e 398

Na sexta-feira passada, a estudante de Direito Dominique da Costa Souza, de 19 anos, chegou no ponto final do 366, antigo S-14 (Campo Grande-Tiradentes), às 15h30, mas só conseguiu embarcar no ônibus que a levaria para a faculdade, na Lapa, no Centro do Rio, às 17h20. Para não chegar atrasada no trabalho, onde pega às 14h20, a atendente de telemarketing Roseane Cristina Vieira, de 22 anos, usuária do 398, que faz o mesmo trajeto, sai de casa todos os dias com pelo menos três horas de antecedência. Esse é o tempo médio de espera nas paradas, desde que empresa retirou a maioria dos veículos das ruas, segundo as queixas dos usuários.
Despachantes confirmaram que nesta segunda-feira estava circulando apenas um ônibus da 366 e três da 398. Uma consulta pela internet ao sistema de dados abertos da prefeitura, que utiliza informações do GPS dos veículos, comprova o que disseram os rodoviários.Uma planilha atualizada em fevereiro e disponibiliza no site da prefeitura aponta que a frota determinada para a primeira linha é de 27 veículos e da segunda, de 16 carros. Mas não é isso que se encontra nas ruas.
— A situação é pior à noite e nos fins semana, quando os ônibus somem por completo — reclama o operador de caixa Leandro Silva, de 34 anos, morador de Campo Grande.
O passageiro contou que o problema vem de longe, mas se agravou a partir do último dia 20. Cansado de esperar por uma solução, partindo da empresa ou da prefeitura, o rapaz entrou com duas ações na Justiça, por meio do Ministério Público. Em ambas ele pede a readequação da frota, a regularização dos horários e que as linhas sejam assumidas por outra empresa em condições de operá-la de maneira mais satisfatória para os usuários.
— É uma situação que me prejudica muito. Não dá nem tempo para estudar em casa, por que passo a maior parte do tempo na rua — se queixa a estudante Dominique que sai de casa por volta das 15h para não chegar atrasada na facukdade, como aconteceu ma sexta-feira.
Dominique da Costa amargou espera de quase três horas na sexta-feira
Dominique da Costa amargou espera de quase três horas na sexta-feira Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
A jovem que mora em Santa Cruz depende de duas conduções: uma até Campo Grande e outra de lá para o Centro. O trem seria uma boa opção, mas como ela é usuária do Bilhete Único Carioca Universitário só pode fazer as quatro viagens de ida e volta em ônibus municipal. A SuperVia suspendeu o benefício da integração com os trens em junho do ano passado, alegando concedia o desconto por “mera liberalidade”, já que não recebia subsídio para isso nem era obrigada pela Lei Municipal 5.211, que criou o BUC.
No Centro, o técnico de enfermagem Walmir Souza, de 58 anos, que trabalha no Hospital Souza Aguiar, já considerava a hipótese de pegar outra condução, após cerca de 40 minutos de espera pelo ônibus que o levaria de volta para casa, em Campo Grande. O vendedor Pedro Elói Gomes Tavares, de 69 anos, morador do Centro que ia à Zona Oeste visitar clientes pensava fazer o mesmo. No período em que o EXTRA esteve no local passaram pelo menos dois frescões, da mesma empresa, mas cuja tarifa é de R$ 14.
No ponto final de Campo Grande, onde o EXTRA permaneceu por cerca de uma hora, a situação não foi muito diferente. Nesse período chegou apenas um coletivo da 398, por volta das 11h40. Dessa vez Roseana deu sorte. Ela havia acabado de chegar, mas nem sempre é assim. Já na parada do 366, nem sinal do ônibus. A fila que começou com três pessoas — entre elas a estudante Dominique — não parava de crescer. Os primeiros a chegar, amargavam uma espera de quase uma hora.
— A linha já era problemática na época em que era de outra empresa e ainda se chamava S-14. Não era ruim, mas também não era tão boa. Mas com o tempo, a situação mudou. Passou a circular com poucos carros, intervalos longos e ônibus em mau estado de conservação. Depois dessa polêmica do não reajuste das passagens ficou pior. Os veículos começaram a sumir. Hoje, quem dependia da linha vai buscar outras opções, como o trem — exemplifica Leandro, que trabalha no Méier, e disse já ter ficado de 21h20 até quase uma hora da manhã do dia seguinte esperando no ponto pelo 366.
Ainda segundo Leandro, as linhas são importantes porque são as únicas de ligação do bairro com o Centro que passam pela Estrada do Mendanha (a 366) e Estrada da Posse (398). Estas linhas são também a opção mais rápida para chegar ao Centro, porque a maior parte do trajeto é feito pela Avenida Brasil, beneficiando ainda moradores de bairros que margeiam a via, como Vila Kennedy, Bangu e Realengo.
A Secretaria Municipal de Transportes informou que o consórcio Santa Cruz, responsável pelas 366 e 398 já foi autuado 15 vezes, de janeiro até agora, por circular com frota estas linhas abaixo do determinado. Cada multa aplicada desta natureza é de 520 Ufir-Rj (cerca de R$ 1.700). Procurado, o Consórcio Santa Cruz respondeu apenas que as linhas 366 e 398 estão com operação comprometida e que "as empresas de ônibus enfrentam a maior crise já vista no setor."


Pontos das duas linhas vazios no Centro, onde placa na parada do 366 ainda é da antiga S-14


Fonte: https://extra.globo.com/noticias/rio/linha-que-deveria-ter-27-onibus-circula-com-apenas-um-na-zona-oeste-do-rio-22660837.html

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Funcionários de empresa de ônibus da Zona Norte entram em greve

Profissionais da Viação Rubanil pedem pagamento de salários atrasados, além de férias e 13º



Rio - Funcionários da empresa de ônibus Rubanil, que circulam na Zona Norte do Rio, entraram em greve na madrugada desta quinta-feira. Os trabalhadores da viação alegam diversos problemas, como atrasos no pagamento de salário, auxílio alimentação, férias e décimo-terceiros.
Em nota, a Rubanil, que além da viação de mesmo nome também integra as viações Transportes América e Madureira Candelária, confirmou que há uma paralisação parcial de seus funcionários e que as operações estão comprometidas.
Sobre as reivindicações dos trabalhadores, a empresa culpou o congelamento das tarifas como um dos problemas para os atrasos e ressaltou que "o setor de transporte por ônibus no Município do Rio enfrenta a maior crise de sua história".
Nas redes sociais, moradores da região onde os ônibus da empresa circulam demonstraram apoio a paralisação e ressaltaram a precariedade no serviço oferecido.
"Canso de ver B73(s) e B19(s) sucateados. Não tem mais pastilha de freio de tanto desgaste e nenhum manutenção. Quando o onibus freia,faz um barulho altÍssimo de metal com metal em atrito. Baratas a bordo, todo quebrado e sem ar. Não sei nem como que essa linha funciona", escreveu um usuário de uma das linhas.

Decreto que permite livre circulação de vans é suspenso pelo TJ

Secretaria disse que fiscalização será reforçada para verificar se decisão está sendo cumprida



Operação contra milícia apreende várias vans e kombis em Santa Cruz, na Zona Norte do Rio

Rio - O Tribunal de Justiça do Rio determinou, nesta sexta-feira, a suspensão de um decreto que permitia a circulação de vans e kombis em itinerários diferentes dos determinados pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR). A medida, que valia desde fevereiro, era avaliada por uma comissão que verificava os trajetos feitos pela pasta para os veículos cadastrados no serviço de transporte complementar.
Em nota, a SMTR destacou que a fiscalização será reforçada para verificar se a decisão judicial está sendo cumprida por parte dos permissionários.  No início de abril, Crivella anunciou que liberaria vans nas linhas em as empresas não estariam colocando ônibus suficientes. Entre as rotas em que os passageiros reclamam de falta de veículos, estão a 398 e 366 que ligam o bairro de Campo Grande, na Zona Oeste, ao centro. A espera dos passageiros nestas linhas chega a ultrapassar uma hora.
"Essas linhas são de extrema importância para quem precisa ir de Campo Grande ao Centro. Agora temos que ir até Bangu, e de lá pegar outro para o Centro. Mais baldeação e mais lotação. Tirando essa opção, só temos o ônibus executivo que faz o mesmo trajeto, mas nem todo mundo tem condições de pagar a tarifa dele", desabafou o operador de caixa, Leandro Silva, de 34 anos. A SMTR afirma que já multou o consórcio operador das linhas 15 vezes de janeiro a abril deste ano.
O desembargador Celso Luiz de Matos Peres concedeu liminar em ação movida pela Rio Ônibus, o sindicato das empresas de ônibus, que questionou o decreto do prefeito. As empresas alegam que o problema de falta de veículos se dá porque as empresas não conseguem arcar com a manutenção com as atuais tarifas, que, segundo as companhias, estariam defasadas.
Desde o início de 2017, quando a prefeitura suspendeu o reajuste anual, a Justiça já determinou duas reduções de R$ 0,20 no preço da passagem, uma delas foi anulada depois. O valor atual é de R$ 3,60.
Paralelamente, o transporte alternativo irregular foi alvo de operação recente da polícia. Principal fonte de renda dos milicianos, mais de 30 vans foram apreendidas na quarta-feira (25). Faltou reboque para levar os carros e os próprios policiais tiveram que conduzir a frota para o Pátio Legal do Detran, em Campo Grande.
Segundo o delegado Fábio Barucke, diretor de Polícia da Capital, uma investigação apontou que o transporte alternativo responde por 70% do faturamento dos criminosos. "A extorsão cometida por esses milicianos nas vans é a sua maior renda. Investigamos alguns pontos controlados pela milícia. Existe van irregular que paga contribuição regular à milícia. Assim, como as vans legalizadas também são obrigadas a pagar. E tem vans que são de propriedade da milícia e eles não precisam extorquir", explicou Barucke, garantindo que a polícia fará novas ações para quebrar outros braços financeiros, como a distribuição de gás. "Estamos verificando também centrais de distribuição de TV e Internet", afirmou o delegado Barucke.
Para Barucke, a operação corroborou as investigações. Ele citou a extorsão aos artistas de rua para exemplificar que nada escapa à sanha dos milicianos. "A pessoa que fica no sinal, em Campo Grande, fazendo arte, também paga por esses pontos à milícia", questionou o delegado.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Sucata sobre rodas: ônibus do Rio rodam com bancos soltos e sofrem panes frequentes

Ônibus da linha 892 com assentos soltos e bancos pichados

Pneus carecas, bancos soltos ou quebrados, elevadores para cadeirantes com defeitos e muita sujeira. Apesar de a frota do Rio ser relativamente nova — a média de vida útil é de 5,3 anos, segundo a prefeitura —, problemas como esses, relatados pelos usuários e constatados pelo EXTRA, denunciam a má conservação dos veículos. Embora haja queixas de passageiros de outros pontos da cidade, a situação é pior nos bairros da Zona Oeste.
Dos 7.160 ônibus que compõem a frota municipal, 132 não deveriam mais estar nas ruas por já terem ultrapassado o tempo máximo de vida útil, que, de acordo com o contrato assinado com os consórcios em 2010, é de oito anos. Mas, mesmo veículos “dentro da validade” apresentam graves problemas mecânicos e de falta de manutenção.
É o caso de um ônibus da linha 885, em Santa Cruz. Segundo o motorista, que não quis se identificar, o veículo fabricado em 2011 deixa de circular pelo menos três vezes por mês devido a problemas mecânicos. Na última vez, quinta-feira passada, o EXTRA flagrou a pane.
— É complicada a situação desses ônibus. Pelo trajeto, que é longo, deveriam ser mais confortáveis, mas é só sucata — reclama o passageiro Cristiano Apolinário, de 20 anos.
Um dos casos mais graves observados pelo EXTRA foi num ônibus da linha 892, no mesmo bairro, com bancos soltos e sem encosto. O problema da frota se reflete em longa espera no ponto. Em Campo Grande, os passageiros da 825 se queixam: dos quatro coletivos que pararam no período de uma hora e meia, dois apresentavam problema mecânico, um deles no elevador de cadeirantes. Além disso, alguns micro-ônibus que deveriam ter ar-condicionado, rodam com janelas abertas pois o equipamento está com defeito.
Ônibus da linha 885 pifou e foi levado para a garagem

A aposentada Aldenora Alves Oliveira, de 65 anos, moradora de Pedra de Guaratiba e usuária do 885, conta que já reclamou da situação com um motorista.
— Entrei no ônibus e perguntei para o motorista por que o veículo estava tão sujo. Ele me respondeu, com ironia, que tinha acabado o sabão. Eu disse que tinha acabado era a vergonha dos responsáveis pela linha. A sujeira é apenas um dos problemas que enfrentamos. É o que está mais à vista, mas não é só isso. É um absurdo a situação desses ônibus. Eles estão muito ruins por falta de manutenção, e quem mais sofre somos nós, os passageiros. Dão defeito a toda hora, por isso demoram tanto. Chegar no ponto e sair logo é questão de sorte — desabafa.
Aviso de parada no grito
Moradora da Estrada Vitor Dumas, em Santa Cruz, a dona de casa Paula Ganjão, de 43 anos, já sabia que quando estivesse perto de descer do ônibus 892 o alerta para o motorista parar seria no grito. A falta da corda da campainha era só um dos muitos problemas. A passageira ficou surpresa também ao deparar com um banco sem encosto e outro com o assento solto, na parte traseira . Isso sem falar nas inúmeros pichações tomando até o teto do veículo. O motorista culpou os estudantes pelo vandalismo. A usuária discorda.
— É falta de manutenção. A gente precisa trazer as crianças para a escola e não tem conforto nenhum. Tem que trocar a frota. Não é culpa dos passageiros. Essa linha já teve ônibus com ar-condicionado, mas sumiram todos. Hoje é só carro velho — afirmou.
Uma consulta no sistema do Detran pela placa do veículo mostra que ele também está com a vida útil em dia, apesar do mau estado de conservação. O coletivo foi fabricado em 2012. Além da longa espera, os passageiros do 825, que mofaram no ponto final em Campo Grande, ao serem deixados para trás por três ônibus que apresentaram problemas, embarcaram no quarto coletivo, que também não era dos melhores em termos de conservação. O veículo estava com vários bancos soltos, conforme reclamaram as passageiras Denise Pinho de Barros, de 59 anos, e Edilene da Silva, de 45. Em Marechal Hermes, usuários da 738 também reclamaram do sucateamento da frota.

Denise e Edilene mostram assentos do 825

Respostas
A Secretaria Municipal de Transportes informou que o consórcio responsável pela operação dos ônibus da Zona Oeste foi autuado 16 vezes por má conservação da frota somente nos últimos meses.
O Consórcio Santa Cruz informou que as empresas que operam as linhas citadas “estão entre as que mais sofrem com a pior crise econômica já enfrentada pelo setor de transporte por ônibus do Rio” e têm perdido a capacidade de investir na frota por não conseguirem repor os custos básicos.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Rodoviários da Estrela Azul fazem paralisação

Funcionários alegam que acordo entre o sindicato da categoria e os representantes das empresas em audiência de conciliação no TRT não foi cumprido nesta quarta-feira, quando deveriam ser pagos os salários atrasados e 13º, além de férias



Rodoviários da Estrela Azul fazem paralisação

Rio - Funcionários da Transporte Estrela Azul, que opera nove linhas que ligam as zonas Norte e Sul do Rio, realizam uma paralisação na porta da garagem da empresa de ônibus no Sampaio, na manhã desta quinta-feira. Os veículos são impedidos de sair pelos manifestantes que estão no local.
Rodoviários cruzaram os braços após um acordo feito entre o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do Rio de Janeiro (Sintraturb) e os representantes das empresas em audiência de conciliação no TRT não foi cumprido nesta quarta-feira, quando deveriam ser pagos os salários atrasados e décimo terceiro, além de férias.
A Transportes Estrela Azul, através do Rio Ônibus, sindicato das empresas, informou que está em negociação com os rodoviários que realizam a paralisação e impedem os ônibus de sair da garagem.
Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes disse que a fiscalização será reforçada para verificar possíveis irregularidades por conta da paralisação e reforçou que os consórcios têm obrigação contratual de manter os serviços de forma regular aos usuários, mesmo em caso de paralisações, sem causar prejuízo aos passageiros.
Quanto às reivindicações de atraso de pagamentos, disse que trata-se de questões trabalhistas que devem ser tratadas entre empresários e funcionários. "A SMTR não tem ingerência sobre o assunto (falta de pagamento de salários e benefícios), nem mantém relação com as empresas", finalizou.
Linhas operadas pela Estrela Azul:
292 - Castelo - Eng. da Rainha
SP-292 - Eng. da Rainha - Candelária (circular)
311 - Eng. Leal (Via Cavalcante) - Candelária (circular)
SP-311 - Del Castilho - Candelária (circular)
435 - Grajaú x Gávea (Via túnel Sta. Bárbara)
434 - Grajaú x Copacabana(Siq. Campos) (Circular-Via Lapa)
436 - Grajaú - Leblon (Via Rebouças)
464 - Maracanã x Copacabana (circular)
503 - Leblon - Gávea

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Crivella pode abrir licitação para novas empresas de ônibus

Prefeito tenta ainda acordo para que empresas voltem com linhas que estão fora de circulação. Ele afirmou que vai liberar vans onde não há ônibus


Prefeito Marcelo Crivella afirmou que vai liberar vans onde não há ônibus

Rio - O prefeito Marcelo Crivella afirmou que, se não chegar a um acordo para que empresas voltem com os ônibus que estão fora de circulação, vai abrir licitação para novas empresas. Entre as linhas que foram extintas estão 581 (Leblon x Cosme Velho) e 582 (Leblon x Urca). Já a 366 e a 368, que ligam Campo Grande ao Centro, demoram mais de uma hora para passar. Crivella disse ainda que vai liberar vans onde não há ônibus.
Em entrevista ao Bom Dia Rio, o prefeito destacou que a licitação seria aberta também para viações de outros estados e até internacionais. "Estamos não só multando as empresas, mas conversando, tentando calcular uma tarifa justa", completou.
Crivella explicou que o sistema de consórcio se mostrou ineficaz e não funcionou para os passageiros, já que eles não tiveram mais ônibus à disposição na cidade e com tarifas mais baratas. Para o prefeito, o atual modelo promove "o canibalismo" entre as empresas.
“Com esse modelo, temos o risco do monopólio. Mas a situação está sendo monitorada e, em breve, no próximo mês ou um pouco mais teremos uma solução. As empresas não têm mais poder político como anteriormente. A vitória da lei do trocador é uma prova disso. A classe política e a gerência técnica é que têm voz de mando”, disse o prefeito.

sábado, 7 de abril de 2018

Bandidos ateam fogo em estação do BRT, em represália à ação contra milícia em Santa Cruz

A estação do BRT Cesarão 3 foi incendiada por bandidos

Em represália à operação da polícia em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, que prendeu mais de 150 pessoas suspeitas de atuar na mílicia, bandidos atearam fogo na estação do BRT, Cesarão 3, na Avenida Cesário de Melo. A ação criminosa aconteceu por volta das 5h20m. Com isso, o corredor Transoeste no trecho foi interrompido, e os serviços das linhas 15 e 17 estão temporariamente suspensos. Segundo a concessionária BRT, ainda não há previsão de retorno.
De acordo com o Centro de Operações Rio (COR), da prefeitura, a Avenida Cesário de Melo tem uma faixa bloqueada. Policiais do 27º BPM (Santa Cruz) reforçaram o policiamento próximos à estação incendiada. O trânsito, no entanto, não apresenta retenções.
Policiais do 27º BPM (Santa Cruz) reforçaram o policiamento próximos à estação incendiada

A operação da Divisão de Homicídios, da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) e de delegacias distritais aconteceu na madrugada deste sábado. Todos os detidos estavam numa festa na região. Num levantamento preliminar, foram apreendidos 25 fuzis e 20 pistolas.
Na ação, quatro suspeitos foram mortos durante confronto com os agentes. Todos os suspeitos e o material foram levados para a Cidade da Polícia.


domingo, 25 de março de 2018

Prefeitura quer licitar de novo linhas que sumiram das ruas

Cansado de esperar: Jorge na Rua Campo Grande, no ponto da Linha 826, que deixou de circular no início do ano passado

Da linha 826 (Campo Grande-Carobinha), só sobrou a placa informando o local de parada na Rua Campo Grande, no bairro de mesmo nome, na Zona Oeste. O ônibus já não passa por ali desde o começo do ano passado. Essa e pelo menos outras 22 linhas, também desaparecidas das ruas, podem ser alvo de uma nova licitação, segundo a prefeitura.
— Se a promessa for adiante, vai ser um progresso. O que não pode é deixar as empresas sumirem com as linhas, usando a crise como desculpa. Essas linhas desapareceram quando a tarifa ainda era R$ 3,80 — argumenta o técnico em informática Jorge Lucas Araújo, de 22 anos, morador em Campo Grande e ex-usuário da 826.
A Secretaria municipal de Transportes não dá detalhes, mas confirmou que a possibilidade de uma nova licitação está em estudo. Especialistas ouvidos pelo EXTRA afirmam que a solução pode não ser tão simples.
Para o engenheiro de trânsito Alexandre Rojas, professor da Uerj, a medida poderia dar origem a nova briga judicial entre a prefeitura e as empresas, o que atrasaria ainda mais a solução. Ele acredita que, para rebater o argumento da prefeitura de que os consórcios romperam o contrato ao deixar de atender os passageiros, as empresas poderiam alegar que a quebra partiu primeiro do município, ao não autorizar o reajuste das tarifas.
— O combustível, que é o principal insumo do transporte, aumentou e, sem poder repassar este custo para as tarifas, a remuneração das empresas caiu. Elas podem usar isso como argumento — analisa.
O professor do Departamento de Engenharia da PUC-Rio José Eugênio Leal tem a mesma opinião.
— Juridicamente é complicado. Parece mais um improviso (da prefeitura) — criticou.

Passageiros ainda têm esperança

O operador de lojas Rodrigo Pereira de Avila, de 24 anos, tem esperança de ver novamente circulando a linha 742 (Padre Miguel-Cascadura), que ele utilizava para se deslocar até o trabalho, em Coelho Neto. Atualmente, o jovem precisa recorrer a duas linhas para fazer o percurso.
— Acho necessária a nova licitação, uma vez que as empresas demonstram claramente a incapacidade de operar a linha. Ela faz muita falta. Hoje tenho de pegar dois ônibus, o 777 e o 393, e ainda caminho mais um pedaço para chegar ao trabalho. Antes era um só. Sem contar que ainda perco de 30 a 40 minutos no trajeto — reclama o morador de Padre Miguel.
Já o morador de Santa Cruz, Rafael Monteiro dos Santos, de 24 anos, cobra o retorno da 365 (Largo do Mendanha-Tiradentes).
— É uma linha importante, pois além de servir como ligação com o Centro, também fazia conexão com linhas que levam a outros bairros.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Passageiros são contra tarifa diferenciada para ônibus com ar-refrigerado no Rio

Passageira recorre a abanador para fugir do calor

A intenção do prefeito Marcelo Crivella de propor uma tarifa diferenciada para os ônibus com e sem ar-refrigerado, numa tentativa de resolver o impasse da refrigeração da frota, não encontra respaldo entre os usuários dos coletivos das linhas municipais do Rio. Para eles, o ideal é que o preço seja único e toda a frota climatizada, o que ainda está longe de corresponder à realidade.
De acordo com dados da Secretaria municipal de Transportes a frota total do município é de 7.335 veículos. Destes 3.023 (41,2%) ainda não são refrigerados. Na distribuição dos veículos sem ar, por consórcio, o Internorte, que cobre os bairros da Zona Norte, possui a maior quantidade: 1.134. O Transcarioca (Zona Norte e parte da Zona Oeste que inclui Recreio, Barra da Tijuca e Jacarepaguá) possui 789; o Intersul (Zona Sul), tem 635 e Santa Cruz (atende a parte da Zona Oeste que engloba Campo Grande, Santa Cruz, Bangu e Realengo, entre outros bairros) tem 465 coletivos não climatizados.
—É um absurdo completo (a diferenciação). O certo é unificar a tarifa e oferecer um único tipo de serviço (só ônibus refrigerados). Temos no Rio grandes problemas de transporte. As empresas que não investem na melhoria de sua frota vão continuar não investindo. A medida vai provocar uma divisão social, com os ônibus da Zona Sul todos com ar-refrigerado e custando mais caro e os da Zona Oeste sem investimentos e sem ar. É uma ideia estapafúrdia. É andar para trás, criando uma estrutura de separação de classes. Isso fará com que quem usa o Bilhete Único, por exemplo, nunca vai poder pegar o ônibus refrigerado, porque as empresas vão querer pagar pela menor tarifa. É mais uma loucura do Crivella — critiou o professor de Geografia, Luiz Gustavo dos Santos Chrispino, de 60 anos, morador na Ilha do Governador.
Luiz Gustavo dos Santos discorda da proposta do prefeito
Luiz Gustavo dos Santos discorda da proposta do prefeito Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
O analista de suporte Carlos Eduardo Lage, de 39 anos, teme com a liberação da cobrança da tarifa mais alta nos ônibus com ar-refrigerado, as empresas retirem das ruas os coletivos não climatizados, obrigando os usuários a pagar a passagem mais cara. Na sua opinião, no final das contas, o passageiro é quem será o principal prejudicado.
— Certamente que vão esconder os ônibus sem ar ou vão colocar todos nas linhas mais rentáveis, deixando os quentões nos itinerários que dão menos lucro. Apesar de preferir pagar mais caro e viajar num ônibus refrigerado, se só houvesse estas opções, acho que o ideal seria toda a frota com ar — opina o morador de Rocha Miranda.
O ambulante Gilberto Lima Romana, de 53 anos, morador em Ramos, discorda da passagem diferenciada para os ônibus climatizados. Ele diz que o usuário já pagou para ter os coletivos refrigerados.
— Não é justa (a diferenciação) porque já pagampos pela refrigeração, quando teve o aumento de R$ 3,20 para R$ 3,60. As empresas vão colocar os ônibus com ar-refrigerado nas ruas e esconder os sem ar, fazendo mofar no ponto o passageiro que não tem como pagar a passagem mais cara. Ainda vai criar confusão para quem usa o Bilhete Único.
A vendedora Rosane Rodrigues, de 40 anos, moradora em Irajá, diz que o passageiro vai ter que escolher que tipo de ônibus usar de acordo com o tempo e sua disponibilidade financeira.
— Num dia quente, por exemplo, vai fazer das tripas coração para pegar um ônibus com ar. Já quem depende do Bilhete único vai ter que esperar no ponto. Não vejo ninguém ganhando com isso a não ser o empresário — opina.
A dona de casa Josilene Oliveira de Andrade, de 50 anos, diz que se tiver de optar, vai escolher pelo ônibus sem ar, mas acha que o ideral é tarifa igual e toda a frota refrigerada. É o mesmo que defende o técnico de refrigeração Raimundo Willen da Silva Baraúna, de 23 anos, embora diga quie se tivesse de escolher optaria pelo ônibus refrigerado, mesmo pagado mais, para fugir do calor. O EXTRA fez o teste num ônibus sem ar da linha 394 (Vila Kennedy-Tiradentes) e o termômetro marcou 34 graus dentro do coletivo sem ar.
—Nesse calor, o ideal seria que todos os ônibus tivessem ar. A gente chega no trabalho suado. Tem gente que até passa mal nesse calor e com carro cheio. O ideal é que todos fossem com ar e preço único — diz o mortador de Sepetiba que diariamente pega três conduções até o Centro, onde trabalha.
Teste dentro do 394 apontou temperatura de 34 graus
Teste dentro do 394 apontou temperatura de 34 graus Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Indagada sobre os problemas que a diferenciação tarifária poderia causar aos usuários de Bilhete Único e sobre como faria para impedir que as empresas reduzissem a frota de carros sem ar, a Secretaria municipal de Transportes respondeu apenas que “a prefeitura está empenhada em resolver a questão tarifária do Sistema de Transporte Público por Ônibus da cidade do Rio de Janeiro, com o objetivo de oferecer mais conforto e qualidade à população carioca. E estuda a melhor forma de cobrar tarifas diferenciadas para veículos com ar e veículos sem ar condicionado.”